Será que realmente somos livres? Será que somos permitidos pensar e agir livremente?
“Dois amigos andando na estrada, fazendo aquela caminhada de manhã cedo para manter a boa forma física. Em um dado momento um destes cai no chão, desmaiado. O outro fica sem ‘norte’, ajoelha-se para acudir o amigo. Passados alguns segundos o rapaz caído acorda meio que perdido. O outro tenta fazê-lo voltar para a realidade e pergunta o que acontecera para que ele caísse daquele jeito na rua. O jovem responde: ‘Não tomei café da manhã’”!
Muitos crentes estão assim, não tomam café da manhã, não almoçam, não fazem o lanche da tarde e tampouco jantam para não criar aquela “barriguinha”. Este é o verdadeiro crente FRACO.
Enquanto que o crente forte faz todas as suas refeições diárias, e, além do mais, atua como um Personal Trainer do crente fraco.
Faço uma analogia básica para aproximação da nossa vida diária, corriqueira, com a nossa vida espiritual. Todos nós temos hábitos, costumes de nos alimentar fisicamente. Se o nosso corpo não receber certa dose, o que é essencial para o bom funcionamento do corpo humano, com certeza ele irá sofrer alguns danos até ao óbito.
Não é diferente com a nossa vida espiritual. Devemos nos alimentar para que tenhamos um bom “funcionamento” dessa vida. Estas refeições são triviais para o crente autêntico porque é a busca de aproximação com o sagrado, de entender, não somente no aspecto espiritual, mas também consciente, isto é, cultural e filosoficamente.
À medida que aprofundamos nossos conhecimentos em alguma área do saber nos sentimos aptos para desenvolver pensamentos e ajudar aos demais que ainda não tem o mesmo privilégio. Ser forte é querer usufruir de sua força: mostrar aos outros colocando os “músculos” em ação. Talvez no desejo de despertar no fraco a vontade de ser igual; certo de que outros são vaidosos e apenas desejam “aparecer”.
Nas igrejas vejo líderes fortes e fracos. Os fracos lutam com toda a vontade tentando se tornar forte; certo de que outros não aspiram tal desenvolvimento. E os fortes? Bom, alguns se escondem atrás dos “músculos” tentando ser modesto, não aparecer, camuflado, sem vontade de apresentar suas aptidões. Outros fortes estão melindrosos, querendo se expor, mas aos poucos. Outros tomam a condição de Personal e treina os crentes fracos – raro.
Uma forma de leituras da carta de Paulo aos Coríntos mostra que os crentes fortes desejavam “alimentar-se” de coisas fortes. Tanto que em II Co 3.17 está escrito: “Mas Deus é Espírito, e onde o Espírito de Deus está existe liberdade”. Essa parte da carta foi endereçada para este grupo de crentes. Paulo mostra que realmente o Espírito de Deus dá liberdade. Mas, será que só para o crente forte?
Num outro momento Paulo deixa claro que os fortes devem pensar nos fracos: “Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos” (I Co 8.9).
Paulo se preocupa com o grupo dos fracos, tenta não deixá-los confusos com as atitudes do grupo forte. O problema é como estes fracos irão se tornar fortes sem participar aos poucos das experiências dos fortes!
O dever do forte é instruir o fraco da melhor maneira possível, não privá-lo de ter uma vida fortificada. Mostrar para este que a vida espiritual é muito mais do que cantar, tocar, orar e ler a bíblia; é dever do crente examinar estas coisas, conhecer o porquê de estar fazendo aquilo e não simplesmente ser guiado pelos fortes.
No entanto, os fortes devem estar dispostos a dedicar suas vidas para estes crentes; esse é o problema. Quanto mais pessoas fracas no grupo, mais fácil fica manipulá-las, ou seja, fazê-las concordar com tudo o que o crente forte fala. E como o forte gosta muito do “poder”, não demonstra muito interesse e tampouco tenta realizar tal feito.
E como estes fracos se tornarão fortes?
Quem está disposto a fazer o que se encontra em II Co 9.22 – se fazer de fraco pra ganhar os fracos? Ademais, fazê-los fortes? Estou a essa procura!
Penso que está surgindo uma nova geração de crentes fortes que desejam mudar essa realidade, fazer destes crentes fracos, fortes, para ter em suas igrejas mentes pensantes e não alienadas concordando com tudo o que se fala. Imaginemos uma igreja onde todos lêem o hebraico, o grego; uma igreja que conhece a história de sua formação, de seus primeiros líderes e da formação de suas doutrinas e pensamentos religiosos! Utopia? Não! Porém, como já mencionei e volto a dizer; o que é mais confortável: uma igreja pensante, questionadora, ou aquela que crê em tudo o que o forte fala crendo que vem da boca de Deus? Vale à pena fazer essa reflexão.
Procure conhecer a origem de todas estas coisas à luz da história; garanto que você irá se surpreender! E, tome cuidado! Existem muitos lobos vestidos com peles de ovelha.
